Jota Silva, diabo à solta em Guimarães: a história do rapaz de Melres

jota silva, diabo à solta em guimarães: a história do rapaz de melres

Jota Silva, diabo à solta em Guimarães: a história do rapaz de Melres

* por Simão Duarte

Guimarães, a cidade berço, é sobejamente conhecida por ser o local onde Portugal começou a transformar-se no país que hoje é. Vários homens corajosos, comandados por D. Afonso Henriques, lutaram pela sua causa com unhas e dentes.

Atualmente, a luta é outra: a equipa do Vitória SC possui inúmeros conquistadores que, dentro de campo, dão tudo pelo clube que representam. A última prova foi colocada na relva encharcada no 2-2 contra o Benfica.

Noite para gente de têmpera, dura, até selvagem. Entre comanches e demais guerreiros, um nome esteve acima dos demais: João Pedro Ferreira Silva, o Jota Silva do Vitória.

De Melres para o Mundo, o avançado vitoriano tem vindo a registar ao longo da sua carreira um crescimento a pulso. Estreou-se como sénior no Campeonato de Portugal na época 2016/17, pela porta do Sousense.

Sofreu o infortúnio de um pé partido, fez apenas quatro jogos, mas essa infelicidade ajudou-o a desenhar o perfil. Mudou-se para os juniores do Paços de Ferreira, onde fez uma bela temporada, com seis golos em 38 jogos.

A extinção da equipa B dos castores obrigou-o a dar um passo atrás. Voltou ao Sousense e aos distritais, mas mais do que determinado a escrever uma história de ascensão e superação.

O país futebolístico passou a conhecê-lo ainda melhor depois das fintas, trocas de velocidade e entrega absoluta contra o Benfica. Morato ainda estará com os olhos perdidos a esta hora. Um diabo à solta.

«A entrega e a velocidade são impressionantes»

Numa divisão da AF Porto sem palcos mediáticos, Jota foi enorme. Foi o jogador mais utilizado no Sousense em 2018/19 e o melhor marcador da equipa, com 15 golos – e cinco assistências. O regresso foi feliz e parte da sua estratégia de crescimento: «Voltei ao Sousense e sabia que era preciso dar um passo atrás para conseguir chegar onde queria», disse o próprio no podcast do Vitória Dezanove22.

O Sousense terminou essa época em sexto lugar na Divisão de Elite da AF Porto. O clube, desde então, não voltou ao Campeonato de Portugal, mas Jota Silva sim, transferindo-se no final da temporada para o SC Espinho. Pelos vareiros, foi um dos três jogadores que fizeram 30 jogos. Individualmente, voltou a ser o melhor marcador da equipa (14 golos) e o segundo melhor da Série B do CP. Esta nova fase de alto rendimento valeu-lhe o destaque na equipa do ano do zerozero com o Campeonato das Oportunidades.

«A entrega e a forma como ele impõe a velocidade em campo são impressionantes», diz Tiago Targino, antigo avançado do Vitória [141 jogos/20 golos entre 2004 e 2012].

«O Jota acelera o jogo com facilidade, é dinâmico, intenso e contagia todo o jogo do Vitória. Para além disso, tem muita fome de vencer.»

Aos 21 anos, a tendência de subir de divisão no final de cada boa época manteve-se: da cidade de Espinho mudou-se para o Leixões no verão de 2020 e entrou pela primeira vez nos campeonatos profissionais. Começou a temporada a jogar regularmente, mas à medida que a mesma foi avançando, Jota perdeu espaço e optou pela rescisão contratual.

O Casa Pia abriu-lhe as portas e mudou-se para Pina Manique, numa decisão que o próprio considerou, em entrevista ao zerozero, como «a melhor decisão» que poderia ter tomado na sua carreira.

O início do ‘Grealish de Pina Manique’

Assim que chegou a Pina Manique na segunda metade da época 2020/21, Jota conquistou o seu espaço. Aquele que viria a ser carinhosamente conhecido como o ‘Grealish de Pina Manique’ estava prestes a surgir.

A épica subida dos gansos à Primeira Liga, 83 após a presença anterior (!) teve um protagonista principal: Jota Silva, o melhor marcador da equipa. Meteu a bola no fundo das balizas adversárias 14 vezes e nove dessas foram num espaço de nove jogos. As belíssimas exibições, com golos à mistura, valeram-lhe cinco prémios de homem do jogo e, no final, um lugar no onze do ano da II Liga.

A entrega e o génio de Jota Silva dentro de campo fizeram com que os adeptos do Casa Pia o comparassem com Jack Grealish, extremo inglês do Manchester City. A comparação não melindrou Jota, muito pelo contrário.

«Gosto muito dele, as comparações são fantásticas, rio-me muito. Não me importo nada, era mau era ser comparado com um mau jogador. Ele é bom, Liga dos Campeões, City, é bom ser comparado. As parecenças são grandes, alguns dizem, cabelo, as meias para baixo….», disse o extremo no Dezanove22.

A sua ascensão manteve-se e voltou ao Norte de Portugal. O Vitória contratou-o por 190 mil euros e Jota Silva alcançou pela primeira vez o topo das competições nacionais.

Chegado ao Estádio Afonso Henriques, não se poderia ter estreado em melhor jogo: vitória contundente frente ao Puskás Akadémia FC, para a Conference League, onde assistiu dois dos três golos vitorianos.

«Eu costumava dizer: nunca joguei com mais de 300 pessoas na bancada. Nesse jogo estavam aqui 15 mil pessoas. Só aí é um choque. É para isso que eu lutei, que eu trabalhei, para chegar e jogar com estádios assim. Entrar assim no D. Afonso Henriques, era o meu primeiro jogo da época, ter vindo da II Liga, ser titular num jogo da Conference League, nunca tinha jogado competições europeias. No Vitória, é realmente especial. Joguei arrepiado os primeiros 15 minutos.»

Esse jogo foi o primeiro de 40 jogos nos quais participou, terminando a temporada como o jogador vitoriano que esteve presente em mais encontros. Pelo meio, quatro golos e quatro assistências, que o mantiveram destacado como uma das figuras do clube e da Liga.

Os registos, apesar de interessantes, foram já pulverizados em 23/24: já a contar com o passe para o golo de André Silva ao Benfica, Jota leva dez golos e sete assistências. Afirmação total.

«Não é fácil corresponder às expetativas dos adeptos do Vitória», continua Tiago Targino. «O Jota foi um dos que se adaptou mais rapidamente. Isso deve-se, precisamente, à entrega que ele tem. No Vitória isso é fundamental.»

«Pronto para um patamar superior? Os números são claros»

A ambição de Jota Silva não tem fim e está à vista. Aos 24 anos de idade, e muitas épocas desportivas pela frente, a pergunta obrigatória é esta: o avançado tem nível suficiente para jogar num patamar qualitativa superior?

«O Jota tem feito uma ascensão muito rápida. Os números são claro. É um jogador fulcral e quem se adapta tão rápido a um clube exigente quanto o Vitória SC, adaptar-se-á a outra realidade qualquer», considera Targino, assumido admirador do avançado.

«Acho que ele está pronto para jogar num nível acima e vai voltar a adaptar-se rapidamente.»

A nota ‘8’ e a tremenda exibição frente ao Benfica recolocaram os holofotes no rapaz de Melres. O contrato em Guimarães expira em 2025 e os valores que o rodeiam já nada têm a ver com os que o levaram do Casa Pia para o Berço.

Qual é o limite de João Pedro Ferreira Silva?

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